A água estava morna. Ideal para o clima naquele momento. Ela então sentou-se na banheira. E aos poucos foi escorregando, até que o a água cobrisse todo o seu corpo, exceto a cabeça. Ficou ali, pensando em tudo o que já passara na sua vida. Fechou seus olhos e relembrou cada momento ruim que já passara. Por baixo da água, passava seus dedos sobre seu braço, e sentia o relevo das cicatrizes que um dia fizera. Tudo o que ela queria era ser diferente daquilo. Ser diferente da dor. Assim como muitos, ela só queria parar de sofrer. Tão nova aquela menina era e já possuía transtornos mentais. Não transtornos absurdos. Os do tipo “comum”. Não gostava nem um pouco de si mesma. Odiava a imagem que via no espelho. Repugnava qualquer sentimento que guardava dentro de si. Seu amor próprio nunca existira. E por esses motivos, maltratava a si mesma. Ela sofria, por motivos que pra você parecem supérfluos, mas que para eram eras os motivos suficientes pra sofrer, pra machucar a si mesma. A verdade era que ela era linda, mas a sociedade não a deixava saber disso. Ela crescera querendo estar no padrão aceitável da sociedade. Porém, até mesmo sem motivos aparentes, as pessoas a julgavam. O que a levou a começar a ter esses transtornos consigo mesma. Palavras sem nexo que haviam sido desferidas contra ela, foram o suficiente para maltratá-la. Para fazer com que ela se odiasse. Agora naquela banheira, ela só pensava em uma maneira de se livrar de tudo o que lhe fazia mal. Deixou-se ficar completamente coberta pela água. Afundou-se e lá no fundo se aconchegou. Não voltou a submergir. Em sua mente o que lhe fazia mal era ela mesma. Era, no passado. Agora isso estava acabado. A garota estava morta. Apenas mais uma pessoa que fora enfraquecida por essa sociedade hipócrita. Apenas mais uma que escolheu o suicídio achando que era o mais fácil e conveniente a se fazer. […]